Tópico 2 Produto

O produto de uma organização cultural é múltiplo e variado, contendo tanto serviços (intangíveis) como produtos (tangíveis) e tudo o que se encontra entre os mesmos, que pode satisfazer uma necessidade ou carência. Uma categorização aproximada de um museu, de uma organização de artes performativas ou dos muitos “produtos” diferentes de um festival resume-se no esquema seguinte. Veja nele os links de alguns exemplos de organizações culturais de todo o mundo.

De fato, um produto cultural pode variar bastante, dependendo do perfil, recursos e alcance de uma organização cultural, mas também do perfil, necessidades, tendências e expetativas dos seus públicos-alvo. Em última análise, o produto de uma organização cultural refere-se à experiência que oferece.

Conteúdos culturais principais

– Exposições permanentes

(por exemplo, em museus)

– Espetáculos (por exemplo, de teatro, ópera, dança, festivais)

 

Conteúdos culturais adicionais

– Exposições temporárias

– Palestras

– Concertos/exposições de proximidade

(Ópera Nacional Grega)

– Programas educativos

– Eventos ligados a ofertas culturais (NHM “Trials”)

 

Conteúdo cultural reprodutível

– Transmissões ao vivo de espetáculos (ROH streaming)

– DVD/CD/Gravações digitais

– Guias de museus

– Programas de desempenho (Playbills)

 

Conteúdo cultural digital

– Visitas a museus online em 3D

(Novo Museu da Acrópole)

– Digitalização de coleções e ofertas culturais (Google Arts & Culture)

– Programas e recursos educativos online (Museu Histórico Nacional)

 

O produto de uma organização cultural está no cerne da sua própria existência e o seu desenvolvimento é orientado por diretrizes, expetativas e padrões científicos, criativos, educativos e artísticos. Além disso, um produto cultural tem particularidades relevantes que o discernem de produtos puramente tangíveis, tais como automóveis, bebidas, computadores ou canetas:

  • pode ser tangível, intangível ou ambos. Por exemplo, um concerto musical é principalmente um produto intangível na sua forma “ao vivo”, mas assume um elemento tangível quando é gravado num CD;
  • é variável e perecível: a sua qualidade nem sempre é a mesma, nem pode ser armazenada. Uma vez que o produto cultural não é reproduzido em massa, a sua qualidade depende de condições que nem sempre podem ser previstas ou influenciadas, como, por exemplo, lesões, doença ou problemas pessoais de um artista, disposição pessoal do visitante ou mesmo disfunções técnicas, greves, pandemias, etc.;
  • É normalmente consumido no momento da compra e um potencial “comprador” não o pode “provar” facilmente antes. Por exemplo, é necessário comprar um bilhete para ver uma atuação ou visitar uma exposição, embora os meios digitais ofereçam presentemente novas possibilidades;
  • É vulnerável a tensões financeiras e o seu preço não pode refletir o seu custo real ou o seu valor cultural, intelectual ou socio-psicológico.
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